Consumering

Se o marketing adapta um negocio ao mercado o que que fazem as empresas que se adaptam ao consumidor? Fazem Consumering. Um blog de artigos sobre como transformar uma empresa comercial num negocio de produtos preferidos pelos consumidores. www.consumering.pt

01/11/2004

4.II) - Quanto vale um voto

A acreditar em tudo o que se ouve, acredita-se também que basta o marketing para ganhar eleições. Isto se, por marketing, se entender os pendurantes e isqueiros que os boys distribuem enquanto dançam com varinas. Só que isso não é Marketing. É apenas uma fantochada que confunde a democracia com uma cambada de ignaros que trocam votos por brindes. O Marketing, o eleitoral ou outro qualquer, é antes a forma de tornar evidente para o público a vantagem de uma escolha, tornando-a, desta forma, mais atraente do que as restantes alternativas. Como tal, o marketing eleitoral seria a capacidade de um determinado candidato evidenciar a vantagem em ser eleito. O que, tem pouco a ver com comícios.

Diz-se que para um candidato expôr porque é preferível votar nele, deve o candidato prometer o que os eleitores querem. Ora, é aí que a coisa emperra. Nas sondagens, os eleitores não se contentam com pouco. Querem um país mais rico; e pobrezinhos menos infelizes; E também que a justiça seja feita. Segundo as sondagens, os eleitores são tão exigentes que aos partidos não resta alternativa senão prometer fazer bem, tudo e ao mesmo tempo, transformando, pela arte da governação, um qualquer lugarejo num país rico, justo e sem miseráveis.

Só que, infelizmente, esta conjugação superlativa dos benefícios do bom governo é inviável. Para haver justiça tem de haver pobres. Porque há gente que merece ser pobre. E por outro lado, salvar todos os miseráveis da pobreza, não é nada justo para quem trabalha. Ora, não é possível fazer tudo bem feito ao mesmo tempo e tanto os eleitores como os partidos sabem-no. Só que estes últimos, optam antes por não tomar partido e seguir no meio-termo, procurando algo que não é bem justo, nem propriamente elimina a pobreza. Algo que, disfarçado de equilíbrio em tudo, não chega a ser bom em nada. O que, posto assim, acaba por ser mau em tudo. A demagogia.

A demagogia, que é a designação para as coisas do tipo: “Força Portugal” e “Merecemos melhor”, abunda tanto na política, que ainda puxa mais pela a abstenção do que os dias de sol. Como aquilo que os partidos prometem é nada, restam como únicas motivações para votar: O sempre ter votado assim; ter um primo ou cunhado em vias de nomeação, ou simplesmente; não gostar do bigode do outro sujeito. Tudo coisas que, sem surpresa, são pouco motivadoras. Resultando por isso na gritante destruição de valor no mercado dos votos que é a actual e galopante taxa de abstenção.

É que nas eleições, como em qualquer outro mercado, só tem condições para ser preferido, quem apresentar um motivo válido para tanto. Um Motivo de Compra. O que na política equivale a dizer algo do género: “temos uma paixão pela educação”. Ora aí está. Em 1995 o PS fez esta mesma proposta. Toda a gente se lembra. Tanto se lembram que muitos até votaram neles. Independentemente do que a não governação dialogante fez às expectativas dos eleitores, desde então devia ter ficado claro que apostar em ser bom numa coisa é bem mais interessante do que ser medíocre em tudo.

Ainda por cima, alguns anos antes, já o PRD havia demonstrado este fenómeno. Desafectado da promiscuidade pantanosa da época, o PRD apresentou-se como o partido do rigor, e até teve montes de votos. Só que também estes tiveram o azar dos incompetentes e o produto falhou, afundando com isso o partido. Se há moral para esta história, é que os partidos se refugiam na demagogia quando se descobrem incapazes para governar. Ainda que isso lhes destrua o seu próprio mercado.

Posto assim, para um qualquer partido que queira beneficiar do marketing para ganhar eleições, o caminho é simples. Primeiro escolhe ser bom numa coisa, uma qualquer, no estado em que estamos, qualquer ideia é genial. Depois, trate de merecer os votos que receber, sendo realmente bom no atributo que escolheu. Se ainda duvida que funciona veja o fenómeno BE: Escolheram ser os caceteiros da esquerda, e apesar de não serem benéficos para ninguém, já vão no terceiro deputado.

Deve ser uma conclusão contra-intuitiva, mas a verdade é que quando não se procura ser especialmente bom em algo, acaba-se a ser mau em tudo. Um exemplo elucidativo: A Caixa é um banco honesto. É esse o seu Motivo de Compra. Tanto que no Basef (o estudo da Marktest), 30% dos inquiridos consideram a Caixa de confiança, contra apenas 6% do segundo banco. Mas o resultado mais surpreendente é ser ainda a Caixa o banco com o melhor atendimento (15% contra 8%) e mais, até na Inovação, que é o contraponto da confiança e Anti-Motivo de Compra da Caixa, há tantos adeptos da Caixa quantos os que referem um segundo banco (6%).

Se funciona para a Caixa, e também funcionaria com outras marcas, desde que escolhessem ser boas em alguma coisa, merecendo com isso a preferência do consumidor, em vez de se remeterem para a demagógica mediocridade da publicidade institucional, ou que outro nome se quiser dar às coisas do tipo dos “a pensar em si”, “inspiradas pela vida”, e “sempre ao seu lado”. Nas urnas, ou nos balcões, quem escolhe, acaba escolhido.

2 Comments:

  • At 2:49 da manhã, Anonymous REGINALDO said…

    gostei muito do testo acima e gostaria de dividir com voces que perdi uma eleicao por um voto que em percentual significou 0,3 quase nada e gostaria se possivel que voces fizessem um testo de agradecimento e de alerta para todos aqueles que depositaram em mim sua confianca e ressaltassem a importancia de votar.REGIMALDO MOREIRA (reginaldo_osorio@rotmail.com) OBRIGADO.....

     
  • At 5:03 da manhã, Anonymous Anónimo said…

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