Consumering

Se o marketing adapta um negocio ao mercado o que que fazem as empresas que se adaptam ao consumidor? Fazem Consumering. Um blog de artigos sobre como transformar uma empresa comercial num negocio de produtos preferidos pelos consumidores. www.consumering.pt

08/03/2005

Podes mudar de nome, que não mudas de fama.

De vez em quando o debate em redor da publicidade deixa de ser fraco para ser patético, até ridículo. Estamos num momento desses.
Tudo (re)começou quando Niyazov Santos resolveu ter a melhor ideia do mundo para salvar Portugal da vil e apagada tristeza que é ser um País pobre, ineficiente e ignorante. Segundo o Expresso, e inspirado no que muitos outros génios antes já disseram. A solução para Portugal passaria por mudar a bandeira, reposicionando Portugal. Parece que a sequência de acontecimentos era mais ou menos a seguinte:

Portugal: A minha bandeira agora já não é assim é assado.
Gringos: Ó porquê?
Portugal: Porque quero reposicionar-me quero que deixem de pensar em mim como o canto de uma cambada de ignorantes preguiçosos
Gringos: E então?
Portugal: Quero que pensem em mim como um País moderno dinâmico e inovador. Um país na vanguarda, a ocidente e não a sul.
Gringos: (espantados) êh-pá, brutal, vou já ai fazer uma fábrica e depois fico no fim de semana de férias.

Haja paciência. Quem é que é o energúmeno que acha que basta mudar de logótipo para mudar a percepção de uma marca? A percepção de uma marca existe por causa de alguma coisa, como tal, para mudar uma percepção é essencial antes mudar (ou abafar) as tais causas da indesejada má percepção. Por isso é que a anterior conversa correria mais ou menos assim:

Portugal: Quero que pensem em mim como um País moderno dinâmico e inovador. Um país na vanguarda, a ocidente e não a sul.
Gringos: E então, já não são ignorantes e preguiçosos?
Portugal: Não, reposicioneime!
Gringos: Ah, é que da última vez que vi, Portugal tinha os mais baixos índices de formação e produtividade da União Europeia, isso por acaso mudou?
Portugal: Bem, não, mas... mas agora tenho uma nova bandeira!

É razoavel esperar que, fazer figura de otário é do melhor que pode acontecer a quem se comporta como um otário. Se têm duvidas vejam o que fez e o que aconteceu ao Turquemenistão. Sim, podem não saber, porque é essa a importância que o mundo dá a quem se reposiciona, mas a verdade é que o Turquemenistão fez isso mesmo, mudou de bandeira para se reposicionar e ficou ignorado na miséria de sempre. Um plano brilhante ideia do iluminado líder-vitalício Niyazov.

Infelizmente, neste País, o nível cultural e a competência são muito baixos em todos os sectores, inclusivamente no marketing e publicidade, logo, há mesmo quem acredite que resolve o problema da ignorância e da baixa produtividade do país mudando de bandeira.

Enquanto os publicitários, gestores, marketeiros e outros que tais, não aprenderem que:
- Se tens má fama é porque fizeste algo para a merecer
- Se apenas mudares de nome, quando muito chegas a travesti no conde redondo.
O pais vai ser uma miséria, mal gerido, sem marcas decentes, sem perspectivas. Mudem quantas bandeiras mudarem.

Se por acaso o nível da discussão melhorar, então leiam uma proposta com pés e cabeça.

12 Comments:

  • At 2:44 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Si, de verdad que España no necesitió de cambiar su bandieria para crescier, ni Irlanda tan poco, pero la verdad es que, desde que esa bandieria empezó infiestiando la atmosferia de Portugal, nada de nuevo sucedió.Asi, y porque tambien es de esperanza qui se hace el succeso y desarollo economico, voto en favor de un cambio, pero no por las mismas razones que ese energumeno Nyyiaianfkljsozov. Cambiemos nuestra bandieira, cambiemos nuestro parlamento y cambiemos también nuestra atitud, porque algo teremos de hacer, pero que nadie se crea que de un cambio de logo se hace un cambio de percepcion, ou mejor, un cambio de capacidad...FSJ

     
  • At 2:54 da tarde, Blogger FSJ said…

    Agora mais a sério, concordo inteiramente com esta opinião do Henrique que, de resto, perpassa em tudo o que ele acredita, escreve e, sobretudo, pratica.É verdadeiramente um sinal de quão baixo chegámos na nossa criatividade e sentido crítico, permitir-se a publicação de pseudo-ideias tão vagas de sentido e tão disparatadas nas justificações. Que pena. A sério que só não me sinto um bocado gozado por este Nyiozonol ou bazanol, ou o que é, porque, felizmente, não posso deixar de me sentir um tanto superior a um ser que escreve e publica buracos negros de informação como este. Mas é pena, porque há quem leia estas coisas e, como com todas as demagogias e sofismas, pode achar que isto é giro e faz sentido. Vai daí, e porque isto até tem a marca de uma agência conhecida, 'bora lá exprimentar, pá!E está relatada a história do nosso processo de decisão política e a (im)profundidade das medidas dos governos nacionais desde os tempos de D.Maria (sic Sousa Franco).
    Já agora, Henrique, permite-me então avançar uma ideia, só porque sim -'bora lá mudar a bandeira.Mas eu tenho uma razão (na verdade duas, mas não digo a segunda). Esta bandeira é feia, vamos fazer um restyling!Só porque sim!FSJ

     
  • At 3:45 da tarde, Blogger Consumering said…

    Contexto:
    Niyazov = Ditador vitalicio do Turquemenistão e impulsionador do rebranding nacional.

    Nicolau Santos = Editor de Economia do Expresso e profundo desconhecedor do Marketing e Publicidade.

    Niyazov Santos = Junta-se a fome à vontade de comer.

     
  • At 11:48 da manhã, Blogger FP said…

    Prático, incisivo e brutal.
    Assim é a descrição do Henrique. Concordo plenamente que não chega uma acção de maquilhagem para esconder os poros abertos e os defeitos de cara. (Pode-se enganar alguns algum tempo, mas não todos o tempo todo)
    Mas a proposta do Pedro Bidarra tem muito de "infant terrible".
    Imaginemos que esta proposta ultrapassava o domínio dos blogs, páginas pessoais e publicitários e/ou marqueteiros...
    Provavelmente teríamos as pessoas a questionarem verdadeiramente a razão para não sermos uma Irlanda. Poderia ser um motivo para despertar consciências cívicas. Poderia ser um motivo para se deixar de cuspir no chão ou atirar papéis pela janela do carro. Talvez se exigisse da classe política o que eles DEVEM dar ao país. Mais que um "cortar fitas" constante, um anunciar de "obra feita", obra projectada ou outras vacuidades que tais.
    Mas é apenas e só um "podia ser que". Não é efectivo.
    Mas a proposta tem, reconheçamos, valor. Pelo menos consegue despertar a discussão. Poderá ser um ponto de partida para qualquer coisa.
    Só por isso devemos dar a mão à palmatória.

     
  • At 11:55 da manhã, Blogger Consumering said…

    Discordo, ao enunciar que a mudança de logotipo pode ser o início de uma mudança real, implica-se a mudança de logotipo pode ser uma causa e não um efeito, quando deve ser exectamente o oposto, primeiro muda-se a realidade depois seguem-se os simbolos. Afinal esta é a diferença entre a mudança na TAP (bem vinda depois da empresa se tornar lucrativa) e a mudança na EDP (pura cosmética).

     
  • At 2:54 da tarde, Anonymous Cabral said…

    Tenham conversas.

     
  • At 6:52 da tarde, Blogger FP said…

    Henrique, concordo plenamente.
    Apenas refiro que tocar no assunto (mesmo pela parte da cosmética) poderá ser um modo de as pessoas o "interiorizarem" e começarem a falar dele.

     
  • At 10:00 da manhã, Blogger Consumering said…

    Pois, mas o acessório é o caminho mais rápido para falhar o essencial.

     
  • At 3:01 da tarde, Anonymous Matheus said…

    Henrique,

    Essa questão é muito delicada. Para um reposicionamento estratégico é necessário que antes de tudo se mude o conceito da empresa (no caso, o país), para somente depois analisar se é ou não necessária a reformulação da identidade visual. Caso se opte por mudar sua identidade, acho que o pior lugar para se fazer isso é na bandeira do país, porque esta envolve outros fatores, como patriotismo e tradição. Aqui no Brasil, por exemplo, foi criada uma marca para divulgar o país no exterior. Você pode conferir ela no meu blog. Acho que essa pode ser uma boa solução para Portugal. Criar um conceito e um logo para vender a marca Portugal. A bandeira é símbolo nacional e não pode ser alterada. Abraços

     
  • At 3:13 da tarde, Blogger Consumering said…

    Certo, o problema é que os adeptos do "reposicionamento" raras vezes (nunca!?) consideram a hipótese de reformular a empresa, limitam-se a acreditar e apregoar que vestindo um fato armani a um taberneiro se obtem algo diferente de um taberneiro vestido com um fato armani.
    Ainda por cima o "reposicionamento" só acontece porque o taberneiro e o vendedor do fato retiram luvas do negócio.

     
  • At 6:00 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Esse patriotismo bacoco é parte do cancro portugues.

    Mudar Portugal passa por mudar as mentalidades, qualificar os RH, agilizar a justiça, resolver a seg social, reduzir a fiscalidade, legislar melhor, cortar as despesas publicas, reduzir grande parte do funcionalismo publico.

    Emagrecer e rejuvenescer o país, com um conjunto profundo e "sangrento" de reformas e medidas.

    É o fim das ilusões, e o fim do estado-providencia, à semelhança do modelo social europeu.

    Passa tambem por uma mudança na imagem de Potugal, incluindo a substitiuição de uma bandeira feia e muito similar a estados africanos terceiro mundistas ou sul-americanos com má fama.

    CARLOS MOTA DOS SANTOS

     
  • At 7:49 da manhã, Anonymous Anónimo said…

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